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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Esporte X Altitude

Acredito que 99,9% dos torcedores do Cruzeiro que foram ao Mineirão ou assistiram a partida pela TV, não duvidavam que o time boliviano seria goleado. Os outros 0,01% são aqueles que mesmo torcendo pela equipe são pessimistas por natureza ou precavidos demais. Mas não vou abordar a brilhante vitória e sim discutir como jogos realizados em altitudes elevadas ou em outras situações climáticas adversas nivelam as equipes mesmo quando há uma grande diferença técnica entre elas, como no caso da partida entre Cruzeiro e Real Potosí.

Quanto maior é a altitude, menor é a pressão atmosférica, consequentemente mais rarefeito é o ar que respiramos. A quantidade reduzida de oxigênio interfere no funcionamento do músculo. Nesse caso, o jogador de futebol sente mais o impacto. Para correr é preciso consumir energia, processo que envolve a produção de ATP. Mas, com pouco oxigênio, não é possível produzir essa substância em quantidade suficiente e o excesso de energia necessária produz como subproduto o ácido lático, tendo como efeito prático a queda de rendimento.

Além disso, outros sintomas podem atingir os jogadores, como insônia, dor de cabeça, náusea, tontura, vômitos, dores pelo corpo, hipotermia (queda da temperatura corporal), edema pulmonar e infarto podendo levar a morte.

Pensando na saúde do atleta a FIFA já pediu o veto em partidas realizadas acima dos 2.750 metros de altitude. É importante ressaltar que jogar em 40 graus ou em temperaturas 10 abaixo de zero também representam agressões aos esportistas. O perigo maior está no calor que pode causar a desidratação alterando o funcionamento cardíaco.

Nesse sentido o bom senso deve prevalecer. É preciso que dirigentes, esportistas, jornalistas, médicos, professores de Educação Física estejam atentos as situações climáticas onde serão realizados eventos esportivos evitando uma possível tragédia.

Mas é inegável que a altitude influencia nos resultados sim, os fracos times bolivianos ganham somente jogando em casa. Tudo bem que não morreu ninguém, mas vamos ter que esperar morrer alguém para que alguma atitude seja tomada?

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